A Bíblia
– o livro mais lido, traduzido e distribuído do mundo –
desde as suas origens, foi considerada sagrada e de
grande importância. E, como tal, deveria ser conhecida e
compreendida por toda a humanidade. A necessidade de
difundir seus ensinamentos, através dos tempos e entre
os mais variados povos, resultou em inúmeras traduções
para os mais variados idiomas. Hoje é possível encontrar
a Bíblia, completa ou em porções, em mais de 2.400
línguas diferentes.
Os originais da Bíblia são a base para a elaboração de
uma tradução confiável das Escrituras. Porém, não existe
nenhuma versão original de manuscrito da Bíblia, mas sim
cópias de cópias. Todos os autógrafos, isto é, os livros
originais, como foram escritos por seus autores, se
perderam. As traduções confiáveis das Escrituras
Sagradas baseiam-se nas melhores e mais antigas cópias
que existem e que foram encontradas graças às
descobertas arqueológicas.
Grego, hebraico e aramaico. Esses foram os idiomas
utilizados para escrever os originais das Escrituras
Sagradas.
Antigo Testamento
- a maior parte foi escrita em hebraico e alguns textos
em aramaico.
Novo Testamento
- foi escrito originalmente em grego, que era a língua
mais utilizada na época.
Para a tradução do Antigo Testamento, a SBB utiliza a
Bíblia Stuttgartensia, publicada pela Sociedade Bíblica
Alemã. Já para o Novo Testamento, é utilizado The Greek
New Testament, editado pelas Sociedades Bíblicas Unidas.
Essas são as melhores edições dos textos hebraicos e
gregos que existem hoje, disponíveis para tradutores.
Muitos séculos antes de Cristo, os escribas, sacerdotes,
profetas, reis e poetas do povo hebreu mantiveram
registros de sua história e de seu relacionamento com
Deus. Esses registros tinham grande significado e
importância em suas vidas e, por isso, foram copiados
muitas vezes, e passados de geração em geração.
Com o passar do tempo, esses relatos sagrados foram
reunidos em coleções conhecidas por:
A Lei
Composta pelos livros de Gênesis, Êxodo, Levítico,
Números e Deuteronômio.
Os Profetas
Incluíam os livros de Isaías, Jeremias, Ezequiel, os
Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e
2 Reis.
As Escrituras
Reuniam o grande livro de poesia, os Salmos, além de
Provérbios, Jó, Ester, Cantares de Salomão, Rute,
Lamentações, Eclesiastes, Daniel, Esdras, Neemias e 1 e
2 Crônicas.
Esses três grandes conjuntos de livros, em especial o
terceiro, não foram finalizados antes do Concílio
Judaico de Jamnia, que ocorreu por volta de 95 d.C.
Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos
pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados
cuidadosamente pelos escribas. Geralmente, cada um
desses livros era escrito em um pergaminho separado,
embora A Lei frequentemente fosse copiada em dois
grandes pergaminhos. O texto era escrito em hebraico –
da direita para a esquerda – e, apenas alguns capítulos,
em dialeto aramaico.
Hoje se tem conhecimento de que o pergaminho de Isaías é
o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico.
Estima-se que foi escrito durante o século II a.C. e se
assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na
Sinagoga, em Nazaré. Foi descoberto em 1947, juntamente
com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar
Morto.
Os primeiros manuscritos do Novo Testamento que chegaram
até nós são algumas das cartas do Apóstolo Paulo,
destinadas a pequenos grupos de pessoas de diversos
povoados que acreditavam no Evangelho por ele pregado. A
formação desses grupos marca o início da igreja cristã.
As cartas de Paulo eram recebidas e preservadas com todo
o cuidado. Não tardou para que esses manuscritos fossem
solicitados por outras pessoas. Dessa forma, começaram a
ser largamente copiados e as cartas de Paulo passaram a
ter grande circulação.
A necessidade de ensinar novos convertidos e o desejo de
relatar o testemunho dos primeiros discípulos em relação
à vida e aos ensinamentos de Cristo resultaram na
escrita dos Evangelhos que, na medida em que as igrejas
cresciam e se espalhavam, passaram a ser muito
solicitados. Outras cartas, exortações, sermões e
manuscritos cristãos similares também começaram a
circular.
O mais antigo fragmento do Novo Testamento hoje
conhecido é um pequeno pedaço de papiro escrito no
início do século II d.C. Nele estão contidas algumas
palavras de João 18.31-33, além de outras referentes aos
versículos 37 e 38. Nos últimos 100 anos descobriu-se
uma quantidade considerável de papiros contendo o Novo
Testamento e o texto em grego do Antigo Testamento.
Além dos livros que compõem o nosso atual Novo
Testamento, havia outros que circularam nos primeiros
séculos da era cristã, como as Cartas de Clemente, o
Evangelho de Pedro, o Pastor de Hermas, e o Didache (ou
Ensinamento dos Doze Apóstolos).
Durante muitos anos, embora os evangelhos e as cartas de
Paulo fossem aceitos de forma geral, não foi feita
nenhuma tentativa de determinar quais dos muitos
manuscritos eram realmente autorizados. Entretanto,
gradualmente o julgamento das igrejas, orientado pelo
Espírito de Deus, reuniu a coleção das Escrituras que
constituíam um relato mais fiel sobre a vida e
ensinamentos de Jesus. No Século IV d.C. foi
estabelecido entre os concílios das igrejas um acordo
comum, e o Novo Testamento foi constituído.
Os dois manuscritos mais antigos da Bíblia em grego
podem ter sido escritos naquela ocasião – o grande Codex
Sinaiticus e o Codex Vaticanus. Estes dois inestimáveis
manuscritos contêm quase a totalidade da Bíblia em
grego. Ao todo são aproximadamente 20 manuscritos do
Novo Testamento escritos nos primeiros cinco séculos.
Quando Constantino proclamou e impôs o cristianismo como
única religião oficial no Império Romano, no final do
Século IV, surgiu uma demanda nova e mais ampla por boas
cópias de livros do Novo Testamento. É possível que o
grande historiador Eusébio de Cesaréia (263–340) tenha
conseguido demonstrar ao imperador o quanto os livros
dos cristãos já estavam danificados e usados, porque o
imperador encomendou 50 cópias para igrejas de
Constantinopla. Provavelmente, esta tenha sido a
primeira vez que o Antigo e o Novo Testamentos foram
apresentados em um único volume, agora denominado
Bíblia.
Estima-se que a primeira tradução foi elaborada entre
200 a 300 anos antes de Cristo. Como os judeus que
viviam no Egito não compreendiam a língua hebraica, o
Antigo Testamento foi traduzido para o grego. Porém, não
eram apenas os judeus que viviam no estrangeiro que
tinham dificuldade de ler o original em hebraico: com o
cativeiro da Babilônia, os judeus da Palestina também já
não falavam mais o hebraico.
Septuaginta (ou Tradução dos Setenta)
Esta foi a primeira tradução. Realizada por 70 sábios,
ela contém sete livros que não fazem parte da coleção
hebraica, pois não estavam incluídos quando o cânon (ou
lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por
exegetas israelitas no final do Século I d.C. A igreja
primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia.
Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e
encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.
Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em
sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e
representou um instrumento fundamental nos esforços
empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na
propagação dos ensinamentos de Deus.
Outras traduções começaram a ser desenvolvidas por
cristãos novos nas línguas copta (Egito), etíope
(Etiópia), siríaca (norte da Palestina) e em latim – a
mais importante de todas as línguas pela sua ampla
utilização no Ocidente. Por haver tantas versões
parciais e insatisfatórias em latim, no ano 382 d.C, o
bispo de Roma nomeou o grande exegeta Jerônimo para
fazer uma tradução oficial das Escrituras.
Com o objetivo de realizar uma tradução de qualidade e
fiel aos originais, Jerônimo foi à Palestina, onde viveu
durante 20 anos. Estudou hebraico com rabinos famosos, e
examinou todos os manuscritos que conseguiu localizar.
Sua tradução tornou-se conhecida como "Vulgata", ou
seja, escrita na língua de pessoas comuns ("vulgus").
Embora não tenha sido imediatamente aceita, tornou-se o
texto oficial do cristianismo ocidental. Neste formato,
a Bíblia difundiu-se por todas as regiões do
Mediterrâneo, alcançando até o Norte da Europa.
Na Europa, os cristãos entraram em conflito com os
invasores godos e hunos, que destruíram uma grande parte
da civilização romana. Em mosteiros, nos quais alguns
homens se refugiaram da turbulência causada por guerras
constantes, o texto bíblico foi preservado por muitos
séculos, especialmente a Bíblia em latim na versão de
Jerônimo.
Não se sabe quando e como a Bíblia chegou até as Ilhas
Britânicas. Missionários levaram o evangelho para
Irlanda, Escócia e Inglaterra, e não há dúvida de que
havia cristãos nos exércitos romanos que lá estiveram no
segundo e terceiro séculos. Provavelmente a tradução
mais antiga na língua do povo desta região é a do
Venerável Bede. Relata-se que, no momento de sua morte,
em 735, ele estava ditando uma tradução do Evangelho de
João. Entretanto, nenhuma de suas traduções chegou até
nós. Aos poucos, as traduções de passagens e de livros
inteiros foram surgindo.
Na Alemanha, em meados do século 15, um ourives chamado
Johannes Gutenberg desenvolveu a arte de fundir tipos
metálicos móveis. O primeiro livro de grande porte
produzido por sua prensa foi a Bíblia em latim. Cópias
impressas decoradas à mão passaram a competir com os
mais belos manuscritos. Esta nova arte foi utilizada
para imprimir Bíblias em seis línguas antes de 1500 –
alemão, italiano, francês, tcheco, holandês e catalão. E
em outras seis línguas até meados do século 16 –
espanhol, dinamarquês, inglês, sueco, húngaro, islandês,
polonês e finlandês.
Finalmente as Escrituras realmente podiam ser lidas na
língua destes povos. Mas essas traduções ainda estavam
vinculadas ao texto em latim. No início do século 16,
manuscritos de textos em grego e hebraico, preservados
nas igrejas orientais, começaram a chegar à Europa
ocidental. Havia pessoas eruditas que podiam auxiliar os
sacerdotes ocidentais a ler e apreciar tais manuscritos.
Uma pessoa de grande destaque durante este novo período
de estudo e aprendizado foi Erasmo de Roterdã. Ele
passou alguns anos atuando como professor na
Universidade de Cambridge, Inglaterra. Em 1516, sua
edição do Novo Testamento em grego foi publicada com seu
próprio paralelo da tradução em latim. Assim, pela
primeira vez, estudiosos da Europa ocidental puderam ter
acesso ao Novo Testamento na língua original, embora,
infelizmente, os manuscritos fornecidos a Erasmo fossem
de origem relativamente recente e, portanto, não eram
completamente confiáveis.
Várias foram as descobertas arqueológicas que
proporcionaram o melhor entendimento das Escrituras
Sagradas. Os manuscritos mais antigos que existem de
trechos do Antigo Testamento datam de 850 d.C. Existem
partes menores bem mais antigas como o Papiro Nash do
segundo século da era cristã. Mas sem dúvida a maior
descoberta ocorreu em 1947, quando um pastor beduíno,
que buscava uma cabra perdida de seu rebanho, encontrou
por acaso os Manuscritos do Mar Morto, na região de
Jericó.
Durante nove anos, vários documentos foram encontrados
nas cavernas de Qumran, no Mar Morto, constituindo-se
nos mais antigos fragmentos da Bíblia hebraica que se
têm notícias. Escondidos ali pela tribo judaica dos
essênios no século I, nos 800 pergaminhos, escritos
entre 250 a.C. a 100 d.C., aparecem comentários
teológicos e descrições da vida religiosa deste povo,
revelando aspectos até então considerados exclusivos do
Cristianismo.
Estes documentos tiveram grande impacto na visão da
Bíblia, pois fornecem espantosa confirmação da
fidelidade dos textos massoréticos aos originais. O
estudo da cerâmica dos jarros e a datação por carbono 14
estabelecem que os documentos foram produzidos entre 168
a.C. e 233 d.C.
Destaca-se, entre estes documentos, uma cópia quase
completa do livro de Isaías, feita cerca de 100 a.C.
Especialistas compararam o texto dessa cópia com o
texto-padrão do Antigo Testamento hebraico (o manuscrito
chamado Codex Leningradense, de 1008 d.C.) e descobriram
que as diferenças entre ambos eram mínimas.
Outros manuscritos também foram encontrados neste mesmo
local, como fragmentos de um texto do profeta Samuel,
textos de profetas menores, parte do livro de Levítico e
um targum (paráfrase) de Jó.
As descobertas arqueológicas, como a dos manuscritos do
Mar Morto e outras mais recentes, continuam a fornecer
novos dados aos tradutores da Bíblia. Elas têm ajudado a
resolver várias questões a respeito de palavras e termos
hebraicos e gregos, cujo sentido não era absolutamente
claro. Antes disso, os tradutores se baseavam em
manuscritos mais "novos", ou seja, em cópias produzidas
em datas mais distantes da origem dos textos bíblicos.
Fonte:SBB