Lição 6

O SISTEMA DE VIVER DO MUNDO

Texto Áureo

"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus"

Romanos 12.2

Verdade Prática

Todo crente fiel a Cristo precisa conhecer os nocivos padrões de procedimentos deste mundo, a fim de que possa rejeitá-los e firmar-se cada vez mais nos santos preceitos da Palavra de Deus.

 

RESUMO

 

INTRODUÇÃO

I- O QUE É O MUNDO?

II- COMO O CRISTÃO DEVE VIVER NESTE MUNDO

CONCLUSÃO

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 João 2.15-19; João 15. 18-19.

 

15 Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.

16 Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.

 

 

17 E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.

18 Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos; por onde conhecemos que é já a última hora.

19 Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.

 

...................................

18 Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim.

19 Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece.

 

^ Volta ao topo

SUBSÍDIO I

Introdução

Professor, aqueles que almejam o alto padrão da vida cristã descrito por João não devem amar o mundo e o que no mundo há (v. 15). Fomos chamados a viver uma vida separada deste mundo, com objetivos infinitamente mais nobres que honram o nome do Altíssimo, que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz (1 Pe 2.9).

I.O que é o mundo?

• Professor, inicie o tópico fazendo a seguinte indagação: “O que é o mundo?” Explique aos alunos que “mundo é o sistema de vida que foi estabelecido pelo homem não regenerado debaixo da influência do mal”.

• A palavra grega Kosmos, quando usada no sentido teológico, diz respeito à ordem ou organização da sociedade humana como um sistema deformado pelo pecado, superficial, envolto num turbilhão de crenças, desejos e emoções. O mundo é antagônico a Deus (Cl 2.20; 1 Jo 2.16) e está sob o comando de Satanás (1 Jo 5.9).

II.Como o cristão deve viver neste mundo

Os cristãos não devem amar o mundo. A primeira razão por que os cristãos não devem amar o mundo ou as coisas que estão nele é que o amor pelo mundo e o amor pelo Pai são incompatíveis. Deus se coloca contra os pecados e os valores do mundo. Consequentemente, é impossível amar e servir a Deus, e ao mesmo tempo amar aquilo que Ele odeia e a que se opõe. O crente ama a Deus? Então precisa servir-lhe, Como Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom (Mt 6.24).

A verdade dessa declaração se torna ainda mais evidente quando a natureza do sistema mundano é analisada, como João agora faz, em três expressões curtas e memoráveis: “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida”.

Como João usa a expressão, pode ser que “a concupiscência da carne” refira-se aos desejos pecaminosos que brotam da natureza carnal do homem. Aqui podemos pensar sobre os pecados mais terríveis. Porém nos escritos de João, como em toda a Escritura, “homem pecador” ou “carne” usualmente têm conotação mais ampla, pela qual se refere a toda a natureza humana que está separada da graça de Deus em Cristo Jesus. Assim, é mais provável que “carne” seja compreendida de uma forma mais ampla neste contexto. Nesse caso, a expressão se referia a todos os desejos que excluem a Deus.

Claramente, não precisamos pensar sobre isso como se referindo em particular aos pecados mais hediondos, embora sejam parte do contexto. Em vez disso, podemos incluir toda a atividade que seja antagônica a Deus e insensível às necessidades dos outros.

A segunda expressão refere-se naturalmente à cobiça. Mas, outra vez, deve ser entendido num sentido mais amplo do que um simples desejo de possuir coisas. A “concupiscência dos olhos” certamente se refere ao desejo de “querer sempre mais” no que se refere à aparência da casa, ao segundo carro, à casa de campo e outras considerações materiais.

[...] Por fim, o mundanismo aqui é caracterizado como “o exagero daquilo que ele tem e faz”. A qualidade única dessa frase está não só em evitar os exageros, mas em excedê-los. Essa característica, que é a mais difícil das três, provavelmente é a mais súbita, pois é fácil ver com que rapidez uma ambição pode se tornar um tipo de orgulho que leva o indivíduo a se gloriar não em fazer o bem mas em ser melhor do que o próximo.

[...] A segunda razão por que o cristão não deve amar o mundo é a que fecha a passagem. É que tudo o que está no mundo é transitório e, assim, leva à destruição. O mundo é passageiro, João declara. Passageiros também são seus valores e aqueles que são caracterizados pelos seus valores. Que estupidez, então, dirigir as esperanças para o sistema mundano, por mais atraente ou recompensador que possa parecer.

Mas nada permanece? Sim, diz João. Aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. O objeto de seu amor, mesmo o Pai, permanece para sempre. Seu amor, tendo sua fonte em Deus, permanece para sempre. Suas obras, sendo um aspecto da obra de Deus, permanecem para sempre, pois ele é o possuidor de vida eterna e herdeiro de todas as riquezas de Deus em Cristo Jesus. A conclusão é que os cristãos deveriam amar a Deus e servir-lhe com fervor.

• Vv. 15-17. As coisas do mundo podem ser desejadas e possuídas para os usos e propósitos que Deus as concebeu, e devem ser usadas por sua graça e para sua glória; porém, os crentes não devem buscá-las nem valorizá-las para propósitos em que o pecado abuse delas. O mundo aparta o coração de Deus, e quanto mais prevalecer o amor ao mundo, mais decairá o amor a Deus. As coisas do mundo são classificadas conforme três inclinações reinantes na natureza depravada:

1. Concupiscência da carne, do corpo: os maus desejos do coração, o apetite de satisfazer-se com todas as coisas que excitam e inflamam os prazeres sensuais.

2. A concupiscência dos olhos: os olhos deleitam-se com as riquezas e com as ricas propriedades; esta é a concupiscência da cobiça.

3. A soberba da vida: o homem vão anseia a grandeza e a pompa de uma vida de vanglória, o que compreende uma sede de honras e aplausos. As coisas do mundo se desvanecem rapidamente e morrem: o próprio desejo desfalecerá e acabará dentro de pouco tempo; porém o santo afeto não é como a luxúria passageira. O amor de Deus nunca desfalecerá.

Muitos esforços vãos têm sido feitos para encobrir a força desta passagem com limitações, distinções ou execuções. Muitos têm procurado mostrar o quão longe podemos ir estando orientados carnalmente e amando ao mundo, mas é difícil equivocar-se a respeito do evidente significado destes versículos. A menos que esta vitória sobre o mundo comece no coração, o homem não tem raízes em si mesmo e cairá ou, na melhor hipótese, será um professor estéril. De qualquer modo, estas vaidades são tão sedutoras para a corrupção de nossos corações, que se não vigiarmos e orarmos sem cessar, não poderemos escapar do mundo em alcançar a vitória sobre o seu deus e príncipe.

Conclusão

Amamos e servimos a Deus com fervor? Então precisamos nos afastar de tudo aquilo que pode nos separar desse amor e do nosso serviço a Ele. Quando Jesus chamou homens para serem seus discípulos, desafiou-os com as palavras “sigam-me”. Isso significava que eles teriam que deixar suas redes ou mesas de dinheiro ou qualquer outra coisa que estivesse ocupando sua atenção e tempo até aquele momento. De igual modo, quando somos chamados para abraçar a verdade do evangelho, precisamos rejeitar o erro. Quando somos chamados para a retidão, precisamos nos desviar do pecado. Quando somos chamados para amar a Deus, precisamos nos afastar de todos os amores e lealdades inferiores.

Extraído de:

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

BOICE, James Montgomery. As Epístolas Paulinas de João. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 62-65.

HENRY, Mattew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. Rio de Janeiro: CPAD, 2002

 

Fonte: CPAD

^ Volta ao topo

SUBSÍDIO II

 

Objetivo: Mostrar que todo crente fiel a Cristo precisa conhecer os nocivos padrões dos procedimentos deste mundo a fim de que possamos rejeitá-los e firmarmo-nos cada vez mais nos santos preceitos da Palavra de Deus.

INTRODUÇÃO

Não ameis o mundo nem o que no mundo há, diz o apóstolo João em sua I Carta. Mas o que significa “mundo” no Novo Testamento? Essa é a pergunta que responderemos na primeira parte da lição de hoje. Depois, trataremos a respeito dos elementos do mundo anticristão. Ao final, destacaremos que, definitivamente, o cristão não pode amar o mundo e muito menos o nele há.

1. MUNDO E MUNDANISMO, DEFININDO OS TERMOS

A palavra mundo – kosmos no grego do Novo Testamento - tem sentidos diversos. Inicialmente essa palavra tem a idéia de ordem e adorno e a partir dessa desenvolveu a noção de cosmos ou universo. No Novo Testamento apenas em I Pe. 3.3 essa palavra se afasta do significado comum de “mundo” e é usada para denotar o sentido inicial de “adorno”. Em At. 17.24 esse termo indica o universo criado, ainda que em outras passagens, como Mt. 4.8; Mc. 8.36; Jô. 3.19, II Co. 5.19, apontem para a esfera da vida humana como um todo. Para Paulo e João o mundo é o lugar para o qual Deus veio a fim de redimir e transformar a humanidade. Nesse contexto, kosmos tem um significado negativo, denotando a era má, que se opõe a Deus (I Co. 3.18,19; Ef. 2.2; Rm. 12.2). Parte fundamental da obra de Cristo na cruz foi derrotar os elementos desse kosmos (Cl. 2.8-20). Para João o kosmos resiste à obra de Deus e ao Seu filho (Jo. 1.9-11; 7.7, consequentemente, este mundo é governado por Mal (Jo. 12.31; 16.11). Por isso, enquanto estiverem neste kosmos os cristãos precisam estar atentos para não serem cooptados por esse sistema maligno (Jo. 17.15-17; I Jo. 2.15; Fp.2.15; Tg. 1.27; 4.4). Ainda que esse sistema anticristão se oponha a Deus, Ele demonstrou amou pela humanidade – kosmos - de uma forma extraordinária e o provou ao enviar Seu Filho para redimi-la dos seus pecados (Jo. 3.16).

2. OS ELEMENTOS DO MUNDO ANTICRISTÃO

Em sua Carta João descreve os elementos do mundo: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (I Jo. 2.16). A concupiscência da carne diz respeito aos desejos desenfreados expressos nos vícios e prazeres sexuais ilícitos. Os cristãos precisam estar em constante vigilância para se deixarem levar pela impureza (I Co. 6.18). O crente é templo do Espírito Santo (I Co. 3.16; 6.19), por isso, seu corpo deve ser apresentado a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor (Rm. 12.1,2). Aqueles que se deixam levar pela concupiscência da carne estão produzindo obras que se opõem ao Espírito de Deus (Gl. 5.21,22; Ef. 5.3-5). A concupiscência dos olhos está associada à visão. O pecado, conforme lemos em Gn. 3.6, teve princípio no ver, bem como o pecado de Acã (Js. 7.20-26). Davi pecou contra o Senhor quando criou uma situação para satisfazer a concupiscência dos olhos (II Sm. 11.2). A soberba da vida é o desejo humano de ser igual a Deus, como quiseram Adão e Eva no princípio (Gn. 3.5). Esse pecado resulta na ostentação, na ânsia desenfreada pela fama e poder. Satanás também quis ser igual a Deus e em seu orgulho precipitou-se da posição na qual o Senhor o havia colocado (Is. 14.14). Na igreja, alguns líderes despreparados, sob a justificativa de autoridade espiritual, exercer práticas autoritárias e abusam espiritualmente dos fieis a fim de tirar proveito próprio e sustentar a vaidade pessoal (Jr. 2.8; Ez. 34.2,8,9)

3. NÃO AMEIS O MUNDO, NEM O QUE NO MUNDO HÁ

A partir de I Jo. 2.15 entendemos que o cristão não pode amar o mundo e muito menos o que nele há. Essa, conforme apontamos anteriormente, é uma proibição recorrente nos escritos joaninos (Jo. 1.10; 17.4; I Jo. 5.19). “Se” alguém ama o mundo, diz João, o amor do Pai não está nele. O tempo verbo no grego dá idéia de continuidade, ou seja, “se alguém continua amando o mundo”. O amor a Deus e ao mundo, nessa perspectiva, se encontra em posições antagônicas. Não é possível que o cristão ame ao mesmo tempo a um e ao outro. Esse – kosmos – que o crente deve aborrecer não é a humanidade, já que o próprio Deus a amou (Jo. 3.16). Trata-se do sistema satânico, anticristão que se opõe à verdade de Deus cujo líder é Satanás (II Co. 4.4). A expressão do mundanismo está nos desejos desenfreados da carne – as obras da carne (Gl. 5.21), na supervalorização das coisas visíveis, esquecendo-se da fé nas coisas que se esperam, mas que ainda não se vê (Hb. 11.1) e na vaidade humana alicerçada na ânsia pela fama e pelo poder satânico (Mt. 4.8-11). Na proporção em que o amor ao mundo aumenta, o amor a Deus diminui. Se alguém quiser saber o quanta ama a Deus, basta avaliar seu nível de amor ao mundo.

CONCLUSÃO

Não ameis o mundo, esse é o ensinamento bíblico. Para vencermos o mundo, com suas artimanhas, meditemos, a guisa de conclusão, nas seguintes passagens: 1 Jo. 4.5; 5.4; 5.5; 5.10; Jo. 15.19; Rm. 12.2; Gl. 1.10; Ef. 2.2; Cl. 3.1,2; I Tm. 6.10. Esses textos são auto-explicativos e suficientes para entendermos e buscar destruir os elementos da concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Que Deus em Cristo nos abençoe e continue produzindo o fruto do Seu Espírito em nós (Gl. 5.22).

BIBLIOGRAFIA

BOICE, J. M. As epistolas de João. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. STOTT, J. R. W. I, II e III João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.

 

 

 

Fonte: Subsídio EBD

 

^ Volta ao topo

Os artigos e estudos publicados neste espaço são de inteira responsabilidade dos seus autores.

     
 
Retorne a página anterior   Indique estes Subsídios
     

Copyright © Escola Teológica

Todos os direitos reservados