Lição 5
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SUBSÍDIO I
INTRODUÇÃO
Amar o próximo não é apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar este alguém a uma vida de comunhão com Deus, a um equilíbrio em todos os aspectos da sua vida. Medidas emergenciais serão necessárias, como nos mostra a parábola do bom samaritano, pois O AMOR AO PRÓXIMO SE DEMONSTRA COM AÇÕES. No entanto, é extremamente necessário que levemos o próximo a entender que deve, sobretudo, amar a Deus, para que também ame o próximo, como nós o amamos. É totalmente impossível adorar a Deus sem amá-lo; Deus nunca se satisfez com menos que TUDO.
(Mt 22:37; Dt 6:5) - Os termos CORAÇÃO, ALMA, ENTENDIMENTO e FORÇAS revelam um AMOR DE ENTREGA TOTAL DO SER HUMANO. Significa AMAR A DEUS SEM RESTRIÇÕES. Nós amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro e o Seu amor foi derramado em nossos corações – I Jo 4.19; Rm5.5
I – AS QUATRO EXPRESSÕES OU DIMENSÕES DO AMOR
O AMOR “ÁGAPE” – I Jo 4:8 - Amor divino; amor cristão. Ágape também era o nome que se dava à celebração do amor cristão, em reuniões com estreita conexão com a Ceia do Senhor. O amor ÁGAPE é o maior e o mais sublime amor, porque é o amor divino, de onde emana todo amor; representa a essência do amor. É o amor sem qualquer tipo de mistura. Costumamos denominá-lo de amor espiritual. É a existência deste amor em nossos corações que impede de vermos as falhas, os defeitos, as fraquezas uns dos outros (I Pe 4:8). Sem o “ágape” não se cumprirá o Sl 133 cf I Cor 13:4-8. Percebamos que no “ágape” não existe desejo carnal. O “ágape” une os homens naquilo que eles têm de mais forte, ou seja, no espírito. Foi este amor que uniu Jônatas e Davi - I Sm 18:1; II Sm 1:26. Neste mundo “podre” em que vivemos, no qual cinco países já aprovaram o casamento entre homoafetivos, ainda existe um sentimento puro, que provém de Deus, capaz de unir dois homens, ou duas mulheres, numa união de almas, despida de qualquer interesse de ordem material ou sexual. Este sentimento que estamos chamando no seu sentido original de “ágape”, é, na verdade a essência do amor e está colocado à disposição dos filhos de Deus (I Pe 4:20-21). Vejamos algumas características do amor ÁGAPE:
(A) É a evidência da salvação, l Jo 3.14; 4.7.
(B) Tem sua origem na experiência do perdão dos pecados, Lc 7.42-47
(C) É expresso através da obediência, Jo 14.15,21
(D) É evidenciado quando amamos o próximo, porquanto é através do ÁGAPE que Deus é visto em nós, l Jo 4.11-12.
(E) Tudo o que somos e fazemos deve estar saturado de amor ÁGAPE (l Co 16. 14).
(F) Promove o crescimento do corpo de Cristo ( Ef 4.16 ).
(G) Os que servem na obra de Deus devem servir em amor ÁGAPE ( 2 Co 12.15 ).
(H) Na vida do crente o amor ÁGAPE deve ser exemplar (l Tm 4.12; 2 Tm 3.10 )
(I) Deve dominar os sentimentos dos crentes em relação aqueles que presidem sobre eles, (l Ts 5.12-13).
(J) Leva o crente a amar como Deus ama, Mt 5.43-45; (K) Deve sempre aumentar, l Ts 3.12; 4.9; Hb 13.1
(L) Leva-nos a fazer a vontade de Deus, Jo 14.15,23; 15.10,14; l Jo 5.2-3.
(M) Leva-nos a agradarmos a Deus em tudo, 2 Co 5.9; Rm 14.18
(N) Determina o aperfeiçoamento do crente, Cl 2:2; 3.14
(O) Ajuda-nos a amar e orar pelos nossos inimigos, Lc 23.34; At 7.60; Lc 6.27-30; Rm 12.20, isto porque passamos a entender que o nosso inimigo não é a carne e nem o sangue, Hb 10.13
(P) Vem de Deus e é ordenado por Ele - I Jo 4:7, 21;
(Q) É Ensinado por Deus - I Ts 4:9 (R) Exorta-se, especialmente, que parta dos Ministros - I Tm 4:12; II Tm 2:22
O AMOR “PHILEO” – É o amor expresso em amizade, afeição e fraternidade. A palavra derivada - philia - tem significado de AMIZADE, BEIJO, SINAL DE AMOR. Entre nós o “phileo” se define por amor social ou amizade. O “phileo”, como uma das expressões do amor, trás em si uma carregada dose de mistura de egoísmo e de outros sentimentos carnais. O “phileo” leva em conta o valor que damos ao objeto do nosso amor, pois ele busca o nosso próprio interesse e só costumamos gostar daquelas coisas ou pessoas que nos são agradáveis. Pelo “phileo” nós fazemos acepção de pessoas. Na Igreja somos todos irmãos, mas não somos amigos de todos, nem todos nos têm como amigos. É com o amigo que nós abrimos nosso coração, falamos de nossos triunfos e fracassos! Pv 18:24. O “phileo”, como expressão do amor, pode sofrer maiores ou menores influências negativas existentes em nossa natureza carnal.
O AMOR “STERGO” - É o amor conjugal, o amor em família. É uma expressão do amor que une uma Família. É o chamado amor familiar. É, sem dúvida, um tipo de amor diferente dos demais. É um sentimento com menor teor de impurezas em relação ao “phileo”. Para o “phileo” é importante o valor do ente amado; para o “stergo”, não! O “stergo” encobre os defeitos de nossos familiares. Especialmente para os pais, os filhos são sempre “santos” e perfeitos. O “stergo” é o amor que sustenta a instituição familiar; ele liga pais e filhos, irmãos com irmãs. Um dos sinais da Vinda de Jesus é o enfraquecimento do “stergo” – II Tm 3:2-3. Não é pois de se admirar a situação caótica em que se encontram tantas famílias, até mesmo em nossas Igrejas!
O AMOR “EROS” - Originado da figura do deus grego do amor. Este tipo de amor é aplicado à relação entre um homem e uma mulher, na perspectiva conjugal. O amor EROS é o amor físico e sensual, necessário para as relações do casamento. A expressão “eros” não se encontra nos originais do Novo Testamento. Contudo, “eros” é uma das quatro expressões do amor, e, sem dúvida, a que contém o mais alto teor de impurezas, estando muito distante do “ágape”. “Eros” é a expressão do amor carnal, do amor sensual, do amor desejo. Este desejo carnal, uma vez satisfeito, pode passar; pode transferir-se para outro objeto do desejo. Isto explica a pouca durabilidade de certos casamentos. Muitos casais são motivados apenas e tão-somente pelo “eros”. De “eros” deriva-se a expressão “erotismo”, que significa paixão sensual insistente.
II - EM RELAÇÃO AO AMOR FRATERNAL, OS SANTOS DEVEM...
1) Revestir-se - Cl 3:14
2) Seguir - I Cor 14:1
3) Abundar - Fp 1:9; I Ts 3:12
4) Prosseguir - I Tm 2:15; Hb 13:1
5) Concorrer-se mutuamente - II Cor 8:7; 9:2; Hb 10:24
6) Ser sinceros - Rm 12:9; II Cor 6:6; 8:8; I Jo 3:18
7) Ser desinteressados - I Cor 10:24; 13:5; Fp 2:4
8) Ser fervorosos - I Pe 1:22; 4:8
III - O AMOR FRATERNAL DEVE SER EXIBIDO EM...
1) Ministrar às necessidades alheias - Mt 25:35; Hb 6:10;
2) Amar-se mutuamente - Gl 5:13
3) Aliviar os estrangeiros - Lv 25:35; Mt 25:35
4) Vestir os nus - Is 58:7; Mt 25:36
5) Visitar os enfermos - Jó 31:16-22; Tg 1:27
6) Simpatizar com os outros - Rm 12:15; I Cor 12:26
7) Apoiar os fracos - Gl 6:1-2; I Ts 5:14
8) Encobrir as faltas - Pv 10:12 cf I Pe 4:8
9) Perdoar os insultos - Ef 4:32; Cl 3:13
10) Ser paciente - Ef 4:1-2 11) Repreender os errados - Lv 19:17; Mt 18:15
FONTES DE CONSULTA
1) Pequena Enciclopédia Bíblia - CPAD - Orlando S. Boyer
2) Dicionário Teológico - CPAD - Claudionor Corrêa de Andrade
3) Bíblia Vida Nova
4) Colaboração para o Portal Escola Dominical : Prof. Antonio Sebastião da Silva
5) Apostila do Presbítero Ezequias Cardoso
Fonte: Escola Bíblica Dominical para Todos
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SUBSÍDIO II
Objetivo: Mostrar que o amor cristão é o resultado da transformação espiritual experimentada no novo nascimento e a prática central do conteúdo da fé cristã.
INTRODUÇÃO
O amor cristão é um dos temas centrais da I Epístola de João. Não por acaso o autor dessa Carta é chamado de Discípulo Amado e o Apóstolo do Amor. Na aula de hoje veremos, a partir dos seus escritos, a força do amor cristão. No início mostraremos que esse é tanto um antigo quanto um novo mandamento. Em seguida ressaltaremos a sublimidade do amor cristão. Ao final trataremos a respeito da demonstração do amor cristão na igreja.
1. AMAR, UM ANTIGO E NOVO MANDAMENTO
O amor é o fundamento da ortodoxia cristã. Esse é, ao mesmo tempo, um antigo e novo mandamento. Para os leitores de I João, aquele não era um novo mandamento, pois eles já haviam aprendido a respeito disso antes (I Jo. 2.24; 3.11; II Jo. 6). A novidade desse mandamento estava respaldada na instrução de Jesus (Jo. 13.34). Cristo deu uma interpretação nova ao antigo mandamento que pode ser encontrado em Dt. 6.5; Lv. 19.18. O amor deveria ser levado até as últimas conseqüências, com altruísmo tal que poderia requerer a morte de quem ama. João refuta a heresia gnóstica não apenas pelas doutrinas ortodoxas, mas também pela ortopraxia, isto é, o modo de vida, que era pautado – na prática de vida dos gnósticos - não pelo amor, mas pelo ódio. Um verdadeiro cristão obedece a Deus e ama a seu irmão (I Jo. 2.9). Está em trevas significa exercitar o ódio, e por oposição, a prática do amor, significa estar na luz (Pv. 4.19). Somente pelas lentes do amor podemos ter uma visão graciosa do outro. Através delas os nossos julgamentos direcionados pela misericórdia, nossa conduta se harmoniza com o caráter de Cristo (Jo. 8.12; 11.9,10; 12.35).
2. A SUBLIMIDADE DO AMOR CRISTÃO
O amor cristão é produzido pelo Espírito, na medida em que esse, em nós e conosco, gera o Seu fruto (Gl. 5.22). Esse amor – ágape em grego – tem origem em Deus, pois Ele é amor (I Jo. 4.8). Ele amou o mundo de uma maneira tal que deu seu Filho Unigênito (Jo. 3.16). Do mesmo modo, devemos também entregar nossas vidas em amor pelos irmãos (I Jo. 3.16). Em I Co. 13, Paulo faz uma defesa contundente da sublimidade do amor cristão. A intenção do apóstolo é mostrar que a melhor linguagem do céu ou da terra, sem amor, é apenas barulho (v. 1). Por ser paciente, o amor tem uma capacidade inerente para suportar, ao invés de querer afirmar-se, o amor busca, prioritariamente, dar-se (v. 4). O amor não imputa o mal ao outro, sequer o leva em conta, não abriga ressentimentos pelas ofensas (v. 5). Alegra-se com a verdade, na verdade do evangelho (Jo. 5.56), que está em Jesus (v. 6).Tudo suporta, não fraqueja, não se deixa vencer em todas as dificuldades (v. 7). Os dons espirituais acabarão, no fim, quando Deus tiver cumprido o Seu plano (v. 9,10), mas não o amor. A fé é importante, bem como a esperança, mas nada supera o amor (v. 13).
3. A DEMONSTRAÇÃO DO AMOR CRISTÃO
O amor cristão não pode ser apenas em palavras, ele demanda ação. Não podemos esquecer que Deus deu Seu Filho Unigênito (Jo. 3.16). A igreja local precisa se acostumar ao exercício do amor. Existem várias maneiras de demonstrar o genuíno amor cristão. O fundamento basilar para a prática do amor é o sacrifício. Infelizmente poucos estão dispostos a tal, haja vista a tendência humana de sempre “tirar vantagem” do outro. Aqui cabe uma pergunta provocadora: o que posso fazer para tornar a vida do próximo melhor? Com certeza para responder a essa pergunta precisaremos “abrir mão de certas regalias”. A igreja de Jerusalém é um modelo nessa prática amorosa, os cristãos daquele tempo, já que viviam na esperança iminente da volta de Cristo, e em razão das perseguições, tinham tudo em comum. Não havia quem passasse necessidade entre eles, todos agiam para o bem do próximo (At. 2.41-46). Sejamos realistas, como toda igreja local, eles também tiveram problemas, por essa razão os diáconos foram estabelecidos para auxiliar os necessitados (At. 7). Podemos, então, ampliar a pergunta anterior e pensar: o que a igreja, como um todo, pode fazer para demonstrar amor cristão? Qualquer resposta, não apenas com palavras, mas em atitudes, será valiosa tanto aos olhos de Deus quanto daqueles que testemunham a nossa fé.
CONCLUSÃO
O amor cristão é forte, por isso a igreja deve buscar múltiplas formas de exercitá-lo (Cl. 3.12-17). Uma igreja que não pratica o amor está, como a de Corinto – estudada no trimestre passado – tomada pela carnalidade. Os partidarismos ficam evidenciados na busca egoísta pelo prazer a qualquer preço. Os cristãos pensam muito mais em si do que nos outros. Mesmo as questões teológicas se transformam em razão para discussões e contendas. Levemos em conta a máxima atribuída a Agostinho: Que o amor que nos une seja maior que as diferenças que nos separam.
BIBLIOGRAFIA
BOICE, J. M. As epistolas de João. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
STOTT, J. R. W. I, II e III João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.
Fonte: Subsídio EBD
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